domingo, 18 de outubro de 2009

Cidade Grande


As cidades grandes são desumanas, e não foi à toa que o poeta escreveu: "nesta cidade do Rio, de três milhões de habitantes, estou sozinho no sul, estou sozinho na América..." (Drummond)

"Já não é necessário ser naturalista para ver que nossas cidades são monstruosas. Todos começamos a sentir que o que chamamos “progresso” é, na verdade, uma corrida grotesca que nos torna cada dia mais neuróticos e desequilibrados." (Lutzemberg)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Dia dos Avós - 5 de Outubro


Desaposentar

Ele chegou à praça com uma marreta. Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta. Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte. Não resisti a puxar conversa: - O senhor é da prefeitura? - Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher. - Ah... O senhor quem plantou essa muda? - Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí. Olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar. - Então o senhor gosta de plantas. - De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho. - Obrigado pela parte que me cabe... Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto. - O senhor é aposentado? - Não, sou desaposentado. Foi podando e explicando: - Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria... Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não encobrir a fachada da loja? É... aí fica com a loja torrando no sol! Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto. - É bom pra terra... tudo que sai da terra deve voltar pra terra... Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bufando e engordando... Até que acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.
Cortou umas flores, fez um ramalhete: - Pra minha menina, a Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ihh... A Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença. Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
- Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode. Sorriu, olhando a praça. - Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça !!! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça... Ou antes, que me fizessem preencher formulários em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei... Tá vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões. - Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea. - Eu também não sabia, filho. Ihh... aprendi tanta coisa cuidando dessa praça! Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme! - Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein? - falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura. Ele respondeu que não tinha pressa. - Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber... e a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim, no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores... - É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança! Ele riu: - Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!

Domingos Pellegrini
Publicado na GAZETA DO POVO, de 22/05/05, Curitiba - PR

domingo, 4 de outubro de 2009

SINERGIA


"A sinergia está em toda parte na natureza.

Se você plantar duas plantas juntas, as raízes se misturam e melhoram a qualidade do solo, de modo que ambas as plantas crescem melhor do que se fossem plantadas separadas.

Se você colocar dois pedaços de madeira juntos, eles irão segurar muito mais do que o peso total somado que cada pedaço suportaria separadamente.

O todo é maior que a soma de suas partes.

Um mais um é igual a três ou mais.”

Stephen R. Covey

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Folhinha quer descobrir como as crianças brasileiras brincam



Para descobrir como as crianças brasileiras estão brincando, a Folhinha, caderno infantil da Folha de S.Paulo, criou o Mapa do Brincar, concurso que analisará e selecionará brincadeiras indicadas pelas próprias crianças. O concurso que foi iniciado em maio receberá indicações de brincadeiras até 3 de julho. O resultado será divulgado em outubro. Podem participar crianças até 12 anos, mas não serão aceitas inscrições cujos textos tenham sido produzidos por pais/responsáveis, ou seja, a própria criança tem de preencher a ficha de inscrição.

Os participantes cujas brincadeiras forem selecionadas terão o nome e a brincadeira divulgados na edição de 3 de outubro da Folhinha. Para participar é necessário enviar a descrição da brincadeira por correio (Al. Barão de Limeira, 425, 4º andar, CEP 01202-900, São Paulo, SP), por e-mail (mapadobrincar@uol.com.br) ou pelo blog da Folhinha (http://blogdafolhinha.folha.blog.uol.com.br/). Também podem enviar fotos, áudios e vídeos das brincadeiras. Após as inscrições, os trabalhos vão passar pela análise das “mestres em brincadeiras” Renata Meirelles e Adriana Friedmann e pela equipe da Folhinha.

Os vencedores poderão ser visitados pela equipe de repórteres da Folha de S.Paulo, que vai conhecer de perto como as crianças estão se divertindo. As instituições (creches, escolas, ONGs, orfanatos, Oscips etc) que mandarem trabalhos de cem ou mais crianças ganharão um certificado de participação do Mapa do Brincar. Já a instituição com maior número de trabalhos inscritos será premiada com uma assinatura semestral da Folha.

Conheça as regras e divulgue para suas crianças: (texto divulgado na Folhinha, direcionado às crianças)

1 – Você pode participar com brincadeiras que você brinca hoje: não vale fazer pesquisa sobre brincadeiras legais ou copiá-las de livros, revistas ou sites para mandar para cá.

2 – Você pode mandar mais de uma brincadeira num mesmo envelope, mas cada uma deve ter sua própria ficha de inscrição.

3 – É importante descrever e detalhar bem a brincadeira.

4 – Se achar importante, você pode desenhar para explicar melhor. E até fotografar, filmar ou gravar a brincadeira e mandar para mapadobrincar@uol.com.br.

5- Podem participar do mapa crianças com até 12 anos de idade.

6- Os participantes não podem contar com ajuda dos pais ou responsáveis na produção dos textos e dos desenhos. Crianças não alfabetizadas podem pedir ajuda para um responsável, que deve preservar a forma de contar da criança.

7- Junto com o seu texto, mande a ficha de inscrição preenchida em letra de forma. Essa ficha pode ser copiada: o importante é ter todas as informações que constam dela.

8- Envie cartas até 3/07/2009, às18h, e e-mails até 3/07/2009, às 23h59. Não haverá confirmação de recebimento de material.

9- Em caso de dúvida, ligue para o tel. (11)3224-4412/3851 ou escreva para mapadobrincar@uol.com.br.

10- Consulte o regulamento completo no blog da Folhinha (http://blogdafolhinha.folha.blog.uol.com.br/).


(Envolverde/Pauta Social) - Em: 15/06/2009 - 10h06

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Comprometimento 2


”Judas fez o que eu lhe pedi. Era o meu discípulo fiel, um homem inteligente, com instrução, com uma cega confiança em mim e uma fé total no Pai. Por vezes caía no extremismo, mas, com o tempo, suavizou-se e foi capaz de fazer o que nenhum outro seria capaz: num ato de Amor total, entregar o Mestre, a seu pedido.”


Extraido do livro "TERRA – O JARDIM DE LÚCIFER", de Vitorino de Sousa

domingo, 16 de agosto de 2009

A VOZ DA ÁRVORE


Fui o sagrado lenho da cruz do Redentor.
Sou o calor da tua morada nas longas e frias noites de inverno.
Sou a sombra amiga que te protege contra o sol do estio.
Meus frutos saciam tua fome e acalmam tua sede.
Sou o telhado da tua casa, as tábuas da tua mesa,
A cama em que descansas e o cabo de tuas ferramentas.
Quando nasces, sou o berço.
Quando morres, sou o esquife.
Cuida de mim para que possa continuar a cuidar de ti...

(Autoria desconhecida)

sábado, 4 de julho de 2009

COMPROMETIMENTO


Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Passe adiante! Precisamos começar JÁ!

Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta aonde vive...


A CRIANÇA APRENDE COM O CONVÍVIO

Por Dorothy Law Nolte

A criança que convive com críticas aprende a condenar;
A criança que convive com a hostilidade aprende a ser agressiva;
A criança que convive com o ridículo aprende a ser tímida;
A criança que convive com a vergonha aprende a sentir-se culpada;
A criança que convive com a tolerância aprende a ser paciente;
A criança que convive com estímulos aprende a ter autoconfiança;
A criança que convive com elogios aprende a valorizar;
A criança que convive com a integridade aprende a ser justa;
A criança que convive com a segurança aprende a ter fé e confiança;
A criança que convive com aprovação aprende a gostar de si mesma;
A criança que convive com a honestidade aprende a verdade;
A criança que convive com a aceitação e a amizade;
Aprende a encontrar o AMOR no mundo.


sábado, 20 de junho de 2009

Para nosso Bem Maior


Senhor!

Auxilia-me para o bem a que me destinas, mas também a extinguir o mal que ainda carrego.

Auxilia-me não só a crer, mas também a realizar o melhor.

Auxilia-me a praticar a aceitação, mas também a exercer o discernimento.

Auxilia-me a exercer a paciência, mas também a livrar-me da inércia.

Auxilia-me a trabalhar, mas também a servir sem reclamação.

Auxilia-me a estender o amor que nos ensinaste, mas também a cultivar o amor, sem criar problemas para ninguém.

EMMANUEL

terça-feira, 2 de junho de 2009

A GRANDEZA DO SILÊNCIO


O silêncio é doçura:
quando não respondes às ofensas,
quando não reclamas os teus direitos,
quando deixas à Deus a defesa da tua honra.

O silêncio é misericórdia:
quando te calas diante das faltas de teus irmãos,
quando perdoas sem remoer o passado,
quando não condenas, mas intercedes em segredo.

O silêncio é paciência:
quando sofres sem te lamentares,
quando não procuras consolação junto aos homens,
quando não intervéns, esperando que a semente germine lentamente.

O silêncio é humildade:
quando te apagas para deixar aparecer teu irmão,
quando, na discrição, revelas dons de Deus,
quando suportas que tuas ações sejam mal interpretadas,
quando deixas a outros a glória da obra inacabada.

O silêncio é fé:
quando te apagas, sabendo que é Ele quem age...
quando renuncias às vozes do mundo para permanecer na Sua presença...
quando te basta que só Ele te compreenda.

O silêncio é adoração:
quando abraças a Cruz, sem perguntar:
por quê?

(AUTORIA DESCONHECIDA)

sábado, 25 de abril de 2009

O MAIOR TESOURO


Certa vez, um homem caminhava pela praia numa noite de lua a cheia. Pensava desta forma:
Se tivesse um carro novo, seria feliz;
Se tivesse uma casa grande, seria feliz;
Se tivesse um excelente trabalho, seria feliz;
Se tivesse uma parceira perfeita, seria feliz,
Quando tropeçou com uma sacolinha cheia de pedras. Ele começou a jogar as pedrinhas uma a uma no mar cada vez que dizia:
Seria feliz se tivesse...
Assim o fez até que somente ficou com uma pedrinha na sacolinha, que decidiu guardá- la.
Ao chegar em casa percebeu que aquela pedrinha tratava-se de um diamante muito valioso.
Você imagina quantos diamantes ele jogou ao mar sem parar para pensar?
Assim são as pessoas... jogam fora seus preciosos tesouros por estarem esperando o que acreditam ser perfeito ou sonhando e desejando o que não têm, sem dar valor ao que têm perto delas.
Se olhassem ao redor, parando para observar, perceberiam quão afortunadas são.Muito perto de si está sua felicidade.
Cada pedrinha deve ser observada... pode ser um diamante valioso.
Cada um de nossos dias pode ser considerado um diamante precioso, valioso e insubstituível.
Depende de cada um aproveitá-lo ou lançá-lo ao mar do esquecimento para nunca mais recuperá-lo.
Você como anda jogando suas pedrinhas? (que podem ser namorados, amigos, trabalho e até mesmos seus sonhos).
A morte não é a maior perda da vida.
A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos.
(Desconheço a autoria do texto...)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

"A folha, quando ama, torna-se flor; quando adora, torna-se fruto."

(Rabindranath Tagore)