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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O CÂNTICO DA TERRA
(Cora Coralina)



Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.

A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste e o pão de tua casa.

E um dia bem distante a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho, do gado e da tulha.
Fartura teremos e donos de sítio felizes seremos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CASA NO SÍTIO

Perdi o sono....
Fiquei sonhando acordada com minha casinha no sítio...
Sem luz, sem água encanada, sem barulho de carro, sem gente batendo na parede vizinha...
Pinico embaixo da cama, colchão de palha, travesseiro de capim...
Parece coisa de doido...
A vela acesa, o fogão de lenha como braseiro, a água quente para o banho no balde...
Cheirinho de orvalho na janela...
O cão deitado na porta, os gatos passeando no jardim de ervas...
Vagalumes nas árvores, corujas nos galhos...
Adormeci...
(Autoria: Ágatar Sousa)