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sábado, 22 de março de 2008

Carta Européia da Água - Conselho da Europa

I. NÃO HÁ VIDA SEM ÁGUA. A ÁGUA É UM BEM PRECIOSO, INDISPENSÁVEL A TODAS AS ATIVIDADES HUMANAS.

A água cai da atmosfera, na terra, onde chega principalmente na forma de chuva ou de neve. Ribeiros, rios, lagos, glaciares são grandes vias de escoamento para os oceanos. No seu percurso, a água é retida pelo solo, pela vegetação e pelos animais. Volta à atmosfera principalmente pela evaporação e pela transpiração vegetal. A água é para o homem, para os animais e para as plantas um elemento de primeira necessidade.
Efetivamente, a água constitui dois terços do peso do homem e até nove décimos do peso dos vegetais.
É indispensável ao homem, como bebida e como alimento, para a sua higiene e como fonte de energia, matéria-prima de produção, via de transporte e suporte das actividades recreativas que a vida moderna exige cada vez mais.

II. OS RECURSOS DE ÁGUAS DOCES NÃO SÃO INESGOTÁVEIS. É INDISPENSÁVEL PRESERVÁ-LOS, ADMINISTRÁ-LOS E, SE POSSÍVEL, AUMENTÁ-LOS.

Em conseqüência da explosão demográfica e do acréscimo rápido das necessidades da agricultura e da indústria modernas, os recursos hídricos são objeto de uma solicitação crescente. Não se conseguirá satisfazê-la nem elevar os padrões de vida, se cada um de nós não aprender a considerar a água como um recurso precioso que deve ser preservado e utilizado racionalmente.

III. ALTERAR A QUALIDADE DA ÁGUA É PREJUDICAR A VIDA DO HOMEM E DOS OUTROS SERES VIVOS QUE DEPENDEM DELA.

A água na natureza é um meio vivo, portador de organismos benéficos que contribuem para manter a sua qualidade. Poluindo a água corre-se o risco de destruir esses organismos, desorganizando assim o processo de autodepuração e, eventualmente, modificar de forma desfavorável e irreversível o ambiente vivo.
As águas de superfície e as águas subterrâneas devem ser preservadas contra a poluição.
Todo e qualquer decréscimo importante da quantidade ou da qualidade de uma água corrente ou estagnada pode ser nocivo para o homem e para os outros seres vivos.

IV. A QUALIDADE DA ÁGUA DEVE SER MANTIDA A NÍVEIS ADAPTADOS À UTILIZAÇÃO PARA QUE ESTÁ PREVISTA E DEVE, DESIGNADAMENTE, SATISFAZER AS EXIGÊNCIAS DA SAÚDE PÚBLICA.

As normas de qualidade podem variar conforme os tipos de utilização: alimentação, necessidades domésticas, agrícolas e industriais, pesca e atividades recreativas. Todavia, sendo a vida, na sua infinita diversidade, tributária das qualidades múltiplas das águas, deverão ser tomadas disposições para lhes assegurar a conservação das suas propriedades naturais.

V. QUANDO A ÁGUA, DEPOIS DE UTILIZADA, VOLTA AO MEIO NATURAL, NÃO DEVE COMPROMETER AS UTILIZAÇÕES ULTERIORES QUE DELA SE FARÃO, QUER PÚBLICAS QUER PRIVADAS.

A poluição é uma alteração, geralmente provocada pelo homem, da qualidade da água, que a torna imprópria ou perigosa para o consumo humano, para a indústria, agricultura, pesca e atividades recreativas, para os animais domésticos e para a vida selvagem.
O lançamento de resíduos ou de águas utilizadas que provoquem poluição de ordem física, química, orgânica, térmica ou radioativa não deve pôr em perigo a saúde pública e deve ter em conta a aptidão das águas para os assimilar (por diluição ou auto-depuração). Os aspectos sociais e econômicos dos métodos de tratamento das águas revestem grande importância.

VI. A MANUTENÇÃO DE UMA COBERTURA VEGETAL ADEQUADA, DE PREFERÊNCIA FLORESTAL. É ESSENCIAL PARA A CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS.

É necessário manter a cobertura vegetal, de preferência florestal; sempre que essa cobertura desapareça deve ser reconstituída o mais rapidamente possível.
Salvaguardar a floresta é um fator de grande importância para a estabilização das bacias de drenagem e do respectivo regime hídrico. As florestas são, de resto, úteis não só pelo seu valor econômico mas também como lugares de recreio.

VII. OS RECURSOS AQÜÍFEROS DEVEM SER INVENTARIADOS.

A água doce utilizável representa menos de um por cento da quantidade de água do nosso planeta e está repartida muito desigualmente.
É indispensável conhecer os recursos hídricos superficiais e subterrâneos, tendo em conta o ciclo da água, a sua qualidade e a sua utilização.
Entende-se por inventário a prospecção e a avaliação quantitativa dos recursos aqüíferos.

VIII. A BOA GESTÃO DA ÁGUA DEVE SER OBJETO DE UM PLANO PROMULGADO PELAS AUTORIDADES COMPETENTES.

A água é um recurso precioso que necessita de uma gestão racional segundo um plano que concilie ao mesmo tempo as necessidades a curto e a longo prazos.
Impõe-se, pois, uma verdadeira política no domínio dos recursos hídricos, que implica numerosos ordenamentos com vista à sua conservação, regularização e distribuição. Além disso, a conservação da qualidade e da quantidade da água exige o desenvolvimento e aperfeiçoamento das técnicas de utilização, de reciclagem e de depuração.

IX. A SALVAGUARDA DA ÁGUA IMPLICA UM ESFORÇO CRESCENTE DE INVESTIGAÇÃO, DE FORMAÇÃO DE ESPECIALISTAS E DE INFORMAÇÃO PÚBLICA.

A investigação sobre a água, e especialmente sobre a água já utilizada, deve ser encorajada ao máximo. Os meios de informação devem ser ampliados e o intercâmbio internacional facilitados, ao mesmo tempo que se impõe a formação técnica e biológica de pessoal qualificado para as diferentes disciplinas que interessam.

X. A ÁGUA É UM PATRIMÔNIO COMUM, CUJO VALOR DEVE SER RECONHECIDO POR TODOS. CADA UM TEM O DEVER DE ECONOMIZAR E DE A UTILIZAR COM CUIDADO.

Cada indivíduo é um consumidor e um utilizador da água. Como tal, é responsável perante os outros. Utilizar a água inconsideradamente é abusar do patrimônio natural.

XI. A GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS DEVE INSCREVER-SE NO QUADRO DA BACIA NATURAL, DE PREFERÊNCIA A SER INSERIDA NO DAS FRONTEIRAS ADMINISTRATIVAS E POLÍTICAS.

As águas que correm à superfície seguem os maiores declives e convergem para formar cursos de água. Um rio com os seus afluentes pode comparar-se a uma árvore extremamente ramificada que serve um território chamado bacia.
Deve ter-se em conta o fato de que, nos limites duma bacia, todas as utilizações das águas de superfície e das águas subterrâneas são interdependentes e que, portanto, é desejável que também o seja a sua gestão.

XII. A ÁGUA NÃO TEM FRONTEIRAS. É UM RECURSO COMUM QUE NECESSITA DE UMA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL.

Os problemas internacionais que as utilizações da água podem suscitar devem ser resolvidos de comum acordo entre os Estados, com o fim de salvaguardar a água, tanto em qualidade como em quantidade.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA

Em 22 de março de 1992 a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o "Dia Mundial da Água", publicando um documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água". Eis o texto que vale uma reflexão:

1 - A água faz, parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.
2 - A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida e de todo o ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura . 0 direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 30 da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
3 - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução, e parcimônia.
4 - 0 equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam.
5 - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para com as gerações presentes e futuras.
6 - A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
7 - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.
8 - A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado.
9 - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
10 - 0 planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
22 DE MARÇO: DIA MUNDIAL DA ÁGUA

"Natureza!
Encontramo-nos cercados e acolhidos por ela;
incapazes de nos separarmos dela...
Ela não tem linguagem nem discurso;
mas cria línguas e corações, por meio dos quais sente e fala...
Ela é todas as coisas."
Goethe

"Louvado sejas, meu senhor, pela irmã água,
a qual é muito útil e humilde e preciosa e casta."
São Francisco de Assis.

"Da água foram criados todos os seres viventes."
Alcorão

"O homem é um peixe evoluído, que sente saudades da água."
Edgar Morin


A Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a resolução A/RES/47/193, de 22 de fevereiro de 1993, através da qual o 22 de março de cada ano seria declarado o Dia Mundial das Águas (DMA). No Brasil, a Lei nº. 10. 670, de 14 de maio de 2003, institui o Dia Nacional da Água na mesma data.
O Crescimento populacional, aliado a um modelo de desenvolvimento altamente predador e a uma distribuição geográfica bastante irregular das fontes de água, são, sem dúvida os fatores mais ameaçadores aos suprimentos de água disponíveis para o abastecimento humano. A necessidade mínima diária de água para um ser humano é de 80 litros, entretanto, ¾ da população mundial têm acesso a apenas 50 litros.
Apenas 85% da água doce disponível para consumo humano no planeta é utilizada no abastecimento domiciliar, os restantes 92% vão respectivamente, para agricultura - o maior consumo com 69% do total - e, para a industria os restantes 23%.
No percurso da sua fonte até a nossa torneira, a água sofre várias agressões, é poluída por esgotos domésticos e industriais que, além de alterar sua cor, cheiro e sabor e podem consequentemente, contaminá-la com agentes patogênicos e substâncias químicas prejudiciais aos seres vivos, em especial, ao próprio homem. Na verdade para que possamos utilizá-la é necessário um oneroso e sofisticado processo de purificação, que procura recuperar aquilo que homem destruiu.
Se faz necessário e urgente ações individuais e coletivas para o uso racional da água! Você pode contribuir! Participe, discuta, faça!

Para refletir:

I. Distribuição das águas terrestres:

  • oceanos e mares 97,2%;
  • calotas polares e geleiras 2,15%;
  • águas subterrâneas 0,625%;
  • lagos e rios 0,0091%; e
  • atmosfera 0,001%.

II. Dos 0,0091%:

Água para uso industrial:
  • Produções de uma tonelada de sabão 2.000 litros de águas são consumidas e para produção de uma tonelada de papel são consumidos 1.000.000 de litros;
  • Uma torneira gotejando durante 24 horas consumirá num dia 46 litros de água, e num mês 1.380 litros;
  • Uma simples escovação de dentes com a torneira aberta consome em média 20 litros de água;
  • 100 litros de água é o tamanho do desperdício numa lavagem de pratos com a torneira aberta;
  • Um banho de chuveiro chega a consumir 20 litros de água por minuto;
  • Em antiquados sistemas de descarga sanitária brasileiro chegam a ser consumidos até 18 litros de água a cada descarga;

Para saber mais:
  • CRESPO, Telson. Planeta Água - Um guia de Educação Ambiental para Conservação dos Recursos Hidrícos. 1ª ed.; Ed. Papel & Virtual. RJ. 1998.
  • FILHO, Demóstenes Romano (org.). Gente Cuidando das águas. 2ª ed.; Belo Horizonte. Mazz ed. 2004.
  • RIBEIRO, Maurício Andrés. Ecologizar: Pensando o Ambiente Humano. Belo Horizonte; Editora Rona, 1998.
  • Revista da Água On Line: http://www.aguaonline.com.br/